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O Regresso de Dizzy

Apesar de Super Mario e Sonic serem dois enormes ícones dos videojogos, o facto de serem mascotes de consolas, exclusivos às suas respectivas marcas, fez com que muitos gamers com computadores, como o Spectrum, Commodore 64 e Amiga adoptassem outros “ídolos”.

Dizzy, um ovo aventureiro, criado pelos Oliver Twins, foi a estrela em perto de 10 jogos, todos eles multi plataforma e grandes êxitos dentro do género, tornando-se assim o ícone para quem não tinha consolas.

Hoje a Codemasters lança um remake de um dos melhores títulos da série – Dizzy: Prince Of The Yolkfolk – para plataformas Android e iOS a um preço budget.

Não há muito para dizer sobre o jogo em si, visto estarmos perante um titulo que funciona muito à base da nostalgia, serão com certeza os antigos fans de Dizzy os primeiros a comprar o jogo.

A jogabilidade é classica, não vamos encontrar nem tiros nem pancada, mas sim diálogo e uso de objectos para progredir na aventura. Dizzy:POTY é um jogo divertido que atrai muito pela sua simplicidade e pelos seus puzzles.

Vale a pena, não só pelo preço mas para relembrar se for esse o vosso caso.

Spectaculator – Spectrum no teu iPhone / iPad

Spectaculator é certamente um nome conhecido dos fãs de Spectrum, visto ser um conhecido emulador do velhinho 8-Bit. A equipa por detrás deste excelente emulador lança agora uma nova versão, desta vez para plataformas iOS da Apple.

Spectaculator pode ser adquirido via App Store e está disponível para iPhone, iPod Touch e iPad por apenas €2.39 e vem pré carregado com os seguintes títulos:

  • 3D Starstrike
  • Tau Ceti
  • Dynamite Dan
  • On The Run
  • Albatrossity
  • The Fantastic Mister Fruity
  • Battery’s Not Precluded

Algumas features do emulador:

  • Jogar em modo retrato ou paisagem
  • Save Games
  • Pokes
  • Dicas e mapas
  • Teclado virtual de ZX Spectrum
  • Modo de carregamento autentico (cassete barulhenta :D ) ou instantâneo
  • Programar em Sinclair BASIC
  • Alta resolução em ecrãs Retina

Mais sobre o Spectaculator:

 

Willy – O Heroi do Spectrum – Parte 2

Continuamos a nossa viagem pelo mundo de Willy, o Heroi do Spectrum. Veja como tudo começou aqui.

Parte 2 – Jet Set Willy
Confesso que quando ouvi o nome Jet Set Willy não o associei de imediato ao Manic Miner, mas sim a um jogo para o Spectrum chamado de Jetpack… enfim, era puto, tinha desculpa.

Jet Set Willy é um jogo simples, como a maioria dos jogos da altura. O Miner Willy ganha uma fortuna enorme (possivelmente com a sua aventura anterior) e compra uma casa enorme! Depois de uma festa, Willy tem que arrumar a casa, colecionando os vários objectos que encontra pelo caminho porque só assim Maria o deixará entrar no quarto para descansar, o problema é que a casa está infestada de criaturas estranhas que dificultam a missão de Willy.

Jet Set Willy é lançado em 1984 apesar de ter sido inicialmente anunciado o seu lançamento para o Natal de 1983 e rapidamente é recebido com grandes pontuações e críticas positivas. Apesar de tudo isto, JSW era um jogo muito dificil e a Software Projects acabaria por lançar um “patch” em formato de pokes para diminuir a dificuldade. Provavelmente o primeiro jogo a sofrer uma actualização após o lançamento. Para que isto fosse possivel, a Software Projects teve que dar ao público alguma informação sobre como fazer o Merge dos pokes no loader de basic, o que levou a muito hacking e experimentação por parte dos jogadores. JSW tornara-se rapidamente o jogo mais hackado de todos os tempos. As alterações foram tantas que até apareceram editores de niveis para o JSW, permitindo assim aos jogadores criar os seus próprios níveis. Tudo isto fez com que o jogo se mantivesse nos tops durante muito tempo e fosse previsivel uma sequela. (continua)

Willy – O Herói do Spectrum – Parte 1

Quando se fala do Spectrum e dos seus jogos, juntamente com a nostalgia, vêm-nos à memória certos títulos.

Em conversas sobre este tema, um dos primeiros nomes que vem ao de cima é o Manic Miner e o seu principal personagem, o Miner Willy ou simplesmente Willy prós amigos. Manic Miner é um dos mais reconhecidos e relembrados títulos do Spectrum, juntamente com Chuckie Egg, mas hoje decidi escrever sobre os dois jogos em que Willy foi a personagem principal: Manic Miner e Jet Set Willy.

Parte 1 – Manic Miner
Lembro-me que quando jogava Spectrum com os meus amigos, era rara a “sessão” em que não se jogava Manic Miner. O jogo era adorado até pelos “mais velhos” e diz, quem se lembra bem desses tempos (1983), que o Manic Miner foi um grande sucesso assim que saiu, talvez o primeiro jogo de Spectrum considerado como um grande êxito.


Além de grande no verdadeiro sentido, visto que existiam 20 quadros neste jogo (grande para aquela altura), do ponto de vista de programação, Manic Miner era uma pérola. Corria suavemente no ZX e trazia uma dinâmica nunca vista até à altura. Desde a música que apesar de fazer loop vezes e vezes sem conta até aos variados tipos de inimigos que Willy tinha que evitar, completamente animados, ao contrário dos outros jogos em que os sprites apenas se movimentavam no ecrã.
Isto tudo criado apenas por um programador de 18 anos chamado Matthew Smith, que lançava o seu segundo jogo (Styx havia sido o primeiro) através da Bug-Byte Software.

A sua fonte de inspiração para criar o Manic Miner havia sido um jogo chamado Miner 2049’er para o TRS-80. Smith viria a deixar a Bug-Byte depois do sucesso de Manic Miner e forma a Software Projects com mais dois sócios. Mais tarde, Smith consegue os direitos do Manic Miner através de um buraco no sistema judicial e um segundo Manic Miner é lançado pela Software Projects, com o nome de Manic Miner Second Edition. No entanto este jogo é em tudo quase idêntico ao primeiro Manic Miner, mudando apenas alguns sprites dos personagens e o artwork da capa do jogo.

Este título viria a decepcionar os fãs de Manic Miner e do Willy, mas a verdadeira sequela estava apenas a uns meses de distância em Jet Set Willy… (Continua)

Enter the Spectrum

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23 de Abril de 1982 seria uma data a recordar por muitos dos fãs do que foi provavelmente o computador pessoal mais famoso da Europa: o ZX Spectrum.

Desenvolvido no Reino Unido pela Sinclair Research, o ZX Spectrum foi o 3º modelo da serie ZX. O pai do ZX Spectrum foi Sir Clive Marles Sinclair, inventor inglês que começou a sua história na década de 60 produzindo amplificadores de som e calculadoras de bolso nos formatos que hoje consideramos normais :) Sir Clive Sinclair em conjunto com Richard Altwasser (que desenhou o hardware) e Rick Dickinson (que desenhou o casing), criaram o que seria considerado o primeiro micro computador de custo reduzido.

Com um processador Z80A de 8-bit a correr a uns estonteantes 3,5 MHz e 16Kb de RAM, o ZX Spectrum 16K foi o primeiro computador da serie ZX a ter o nome de Spectrum e era conhecido internamente como “Issue 1” visto pouco tempo depois do seu lançamento a Sinclair ter lançado o modelo ZX Spectrum 48K “Issue 2”. Os utilizadores do “Issue 1” tinham a possibilidade de comprar a expansão de 32Kb, chamada RAMPack que era ligada à porta de expansão do computador.

O suporte de dados utilizado pelo ZX Spectrum era a cassete de audio, o que requeria uma ligação a um gravador de cassetes externo e só em modelos posteriores passou a ser incluído no próprio computador.

Devido ao modo como era feito o carregamento dos dados, o Spectrum exigia por vezes que os seus utilizadores fossem especialistas na arte do parafuso :) O parafuso, existente nos gravadores da altura, servia para fazer o ajuste fino das cabeças de gravação, o que podia decidir se os 15 minutos de carregamento de um jogo seriam (ou não) um sucesso.

Houve várias tentativas de mudar este processo e substituir o suporte de dados de cassetes para cartuchos, conhecidos como ZX Microdrives, no entanto, o que cedo garantiu o sucesso do ZX Spectrum, alem da versão de Basic que vinha na ROM (e as teclas de borracha ;) ) foi precisamente a distribuição do software em cassettes, que permitia um nível elevado de pirataria. Depressa o ZX Spectrum tornara-se um dos computadores com mais sucesso na Europa. Na América tinha sido licenciado à Timex Corporation, e apesar de construírem um clone melhorado do ZX Spectrum (porém um pouco incompatível), o Timex nunca atingiu o mesmo nível de sucesso pelas terras do tio Sam.

Em 83 o Spectrum tinha atingindo um patamar de fama indiscutível, vendera mais do que qualquer computador construído no Reino Unido até aquela data e tornara-se um ícone nacional. Margaret Thatcher oferecera pessoalmente um Spectrum ao primeiro ministro japonês como símbolo da proeza tecnológica britânica.
Outros modelos se seguiram ao ZX Spectrum pelas mãos da Sinclair, mas tirando o Spectrum 128K e o Spectrum +2, foram poucos os que tiveram o mesmo sucesso do “Speccy”, como é carinhosamente chamado pelos fãs.

A linha Spectrum vendeu relativamente bem, tendo sido mais tarde comprada pela Amstrad, que desenvolveu vários modelos especialmente direccionados para o mercado empresarial. O Spectrum sobreviveu até 1992, altura em que as consolas de 16-bit da Nintendo e Sega começaram a ganhar terreno nos mercados Europeu e Americano.

No entanto, devido à simplicidade do hardware e funcionamento do Spectrum, vários clones (legais e ilegais) foram e ainda são produzidos hoje em dia, especialmente em países com a China e a Russia.

O Spectrum, os Jogos e Portugal

Diz-se que em Portugal, contam-se por os dedos os utilizadores do ZX que alguma vez compraram um jogo original. Com 150 ou 300 escudos obtinham-se cópias de jogos com capas fotocopiadas a preto e branco que eram muitas vezes pintadas com marcadores e lapis de cor em casa, ao esperar que o jogo carregasse (se bem que algumas cópias de qualidade vindas de Espanha já eram a cores).

Eram muitas as lojas que começaram a duplicar jogos, vendiam-se em papelarias e até em feiras, onde muitas vezes o negócio da cassete pirata arruinava a experiência. Vários são os relatos de quem comprou um jogo na feira e quando foi tentar jogar, levou com as belas melodias do José Cid. :)

Uma cassette de 3 horas dava para gravar uma boa compilação de jogos e eram feitas colecções inteiras com menos de 5 contos (+/-25€). Em Portugal, os jogos não estavam protegidos pela lei dos direitos de autor e a proliferação dos jogos piratas fez aumentar em pouco tempo as vendas do Spectrum em 200%.

Os primeiros Spectrums a entrar no nosso mercado vinham por distribuidores espanhóis mas rapidamente começaram a ser importados do Reino Unido e comercializados em lojas de electrodomésticos. Pouca ou quase nenhuma publicidade era feita ao Spectrum, sendo apenas passada a palavra por quem tinha um ou conhecia quem tivesse. Era giro, pequenino, tinha umas teclas de borracha e até dava para “ensinar os putos a fazer contas”, para não falar nos jogos que dava para jogar.

O primeiro jogo que joguei num Spectrum foi o Chuckie Egg, que deve ser provavelmente um dos jogos mais conhecidos para a plataforma. Muitas eram as tardes depois da escola na casa de amigos a jogar Chuckie Egg. Na altura o pessoal limitava-se a jogar apenas um jogo devido ao tempo que os jogos demoravam a carregar no Spectrum. No entanto, a competição e a vontade de ver os “quadros” (níveis) seguintes eram o verdadeiro “fun factor”.

Mais tarde começaram a aparecer as revistas dedicadas a jogos de computador, maioritariamente revistas espanholas que traziam os “pokes, as dicas e os mapas. A mais famosa em Portugal foi provavelmente a MicroMania, revista espanhola em formato A3 (na altura) que trazia listagens de código para copiar e depois gravar, muitas horas eram perdidas só para ter um jogo. Apenas mais tarde as revistas começaram a incluir cassetes com jogos e programas. No estrangeiro, havia inclusive programas de rádio e televisão que transmitiam jogos e programas em audio para se gravar nas cassetes e carregar no computador.

No Spectrum nasceram grandes títulos que formaram as bases do que é hoje a industria dos vídeo jogos. É de alguns desses títulos que irei falar aqui em futuros posts.