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Amiga World Premiere

Há 25 anos o Mundo mudava assim…

Micro Men

aqui falámos desse grande marco da história dos computadores e dos video jogos que foi o Sinclair ZX Spectrum, mas nunca é demais conhecer os pormenores do início de vida dos micro computadores dos anos 80.

Recentemente fiquei a conhecer um blog português dedicado ao retro gaming chamado Archeogamer, com grande focus no Spectrum. Foi ao ler alguns dos artigos deste excelente blog que fiquei a saber da existência de Micro Men, um docudrama feito pela BBC que conta precisamente a origem da revolução da industria dos micro computadores no Reino Unido, bem como da corrida ao topo das suas figuras mais proeminentes: Sir Clive Sinclair e Chris Curry (fundador da Acorn Computers).

Micro Men é um filme bastante interessante e apesar de algumas incongruências, não deixa de ser um retrato fiel da época. Se estiverem interessados, podem ver o filme nesta playlist do Youtube :)

Commodore Amiga 500

Tenho uma teoria. Pelo menos uma vez na vida de cada gamer, existe uma máquina que o marca profundamente.
Spectrum, Super Nintendo, Mega Drive, Dreamcast, Playstation, you name it. Se és gamer, há pelo menos um sistema que te marcou mais dos que os restantes. Pode até nem ser o teu favorito, mas a marca está lá e é dele que te lembras quando se falam dos “velhos tempos”.

O sistema que mais me marcou até hoje chama-se Commodore Amiga 500 e foi em 1989 que mudou a minha vida como gamer.

Quem vivia em Portugal na década de 80, principios de 90 jogava num Spectrum ou até num PC (que foi o meu caso durante algum tempo), as consolas apareceram mais tarde e as arcades faziam as delicias da miudagem com os seus gráficos e jogos do outro mundo, mas este cenário estava prestes a mudar.

A Commodore após o sucesso do Amiga 1000 em alguns países da Europa, começa a expandir o seu mercado até chegar a Portugal e entra com alguma força introduzindo o Amiga 500, um sistema com um preço mais acessivel do que o Amiga 1000 e direccionado para um público menos técnico.

Posso-vos dizer que o primeiro contacto que tive com um Amiga 500 foi na casa de um primo meu. Fiquei boqueaberto com o primeiro jogo que jogámos, nunca em lado algum havia visto gráficos e som com aquela qualidade fora de um salão de jogos. Pouco tempo depois o meu pai deu-me a escolher entre um PC 286 e um Amiga 500… a escolha foi óbvia e posso-vos dizer que nunca me arrependi.

Fui jogador ávido do Amiga durante todo o seu tempo de vida, até chegar o Amiga 1200, altura em que já se avizinhavam os primeiros problemas com a Commodore e a mudança para plataformas Intel… mas vamos voltar atrás para vos falar um pouco da história do Amiga 500.

Apesar do A500 ser sucessor do A1000 em 1987, ele é considerado por muitos como o sucessor espiritual do Commodore 64. Foi este sistema que fez as delicias de muitos jogadores, algo que só se repetiu em grande escala com o A500, visto que o A1000 era visto mais como uma máquina para empresas e negócios.

Potente e versátil até para correr outro tipo de software, o A500 brilhou como máquina de jogos, dando origem a pérolas como Speedball 2, Shadow of the Beast, Gods, Last Samurai, Turrican e Pinball Dreams.

O grande rival do A500 era o Atari 520 ST, que era bastante semelhante em hardware, mas faltava-lhe a magia dos engenheiros da Commodore, aka o OCS, o chipset especial que fazia do A500 o monstro que ele era:

  • Agnus – o chip central que controla o acesso à chip RAM e ao CPU 68K.
  • Denise – o processador de video principal do sistema, que permitia mostrar uma resolução de 320×200 (NTSC) ou 320X256 (PAL) podendo chegar a uns brutais (para a altura) 640X400 utilizando interlacing. Este chip era também responsável por fazer o HAM (Hold and Modify), uma técnica que permitia mostrar 4096 cores em simultaneo no ecrã, algo que mais nenhum sistema fazia naquela altura.
  • Paula – o chip de audio, com quatro canais de 8-bit independentes, controlava também os IRQs e funções de input / output do sistema, bem como os ports (rato, joystick, drive disquette e serie).

O sistema operativo, Amiga OS, era multitasking, com um ambiente gráfico muito sofisticado, bem com uma shell poderosíssima. Tudo a correr de uma única disquette de baixa densidade! 880kb! O truque era ter parte do sistema operativo a arrancar de uma ROM, a Kickstart ROM, daí ser possivel arrancar apenas com a disquette do jogo sem carregar mais nada ;)

Tudo no A500 estava desenhado de maneira a que o sistema pudesse crescer, tinha um port de expansão para mais RAM, portas para rato, joystiq, serie, paralela para impressoras, scanners ou outros digitalizadores, expansão para disco externo e segunda drive de disquette.

O A500 foi descontinuado em 1991, teve dois sucessores directos, o A500 Plus, que era basicamente um A500 com 1 Mb de RAM interna em vez do 512Kb de origem do A500 (o que trazia muitos problemas de compatibilidade com alguns jogos) e o A600, um modelo mais pequeno, que mostrava a intenção da Commodore de competir com o mercado das consolas já bastante forte em 1992 / 93, ano em que foi descontinuado.

Seguiram-se o Amiga 1200 e o Amiga CD32, este última uma consola com capacidade de se expandir para um 1200 (falarei desta consola noutra ocasião). Escusado dizer que nenhum dos Amigas que se seguiram tiveram tanto sucesso como o A500. O Amiga 500 foi único e continua a ser um marco na história dos videojogos e dos computadores.

Hoje o Amiga 500 continua a ter uma das comunidades mais activas, principalmente por causa da demoscene e da chiptune scene. A marca Amiga foi comprada e vendida milhentas vezes após a falência da Commodore em 1994, mas ainda hoje existe uma réstia de esperança que um novo Amiga nasça das cinzas :)

Quanto a mim, posso vos dizer que abandonei o meu A500 por um 486 DX2 a 66MHZ com um kit multimedia em 1994 e ainda hoje me arrependo de o ter vendido :(
 

Trivia
Sabias que o erro que aparecia quando um sistema Amiga crashava, chamado Guru Meditation, teve origem numa piada feita pelos engenheiros da Commodore? Um dos produtos iniciais da Commodore chamava-se Joyboard e era um dispositivo semelhante a um joystick mas controlado com os pés, género Wii Balance Board. No inicio do desenvolvimento do sistema Amiga, os programadores ficavam tão frustrados com os frequentes crahses do sistema que para relaxar, criaram um jogo para o Joyboard em que o jogador que aguentasse mais tempo em posição de guru indiando (sentado de pernas cruzadas) ganhava, mas se se movesse, perdia e o jogo mostrava uma mensagem de erro “Guru Meditation”.

Commodore 64 no iPhone

Commodore 64

A Manomio lançou este fim de semana o C64, um emulador do Commodore 64 para o iPhone. Esta aplicação que havia sido rejeitada pela Apple inicialmente por ser um emulador e correr “outro tipo de código executável” (aka ROMS), vê agora agora a luz do dia devido ao novo SDK 3.0 que permite download / compra de outras funcionalidades dentro da própria aplicação, o que vem invalidar as razões iniciais usadas pela Apple para rejeitar a aplicação.

Esta primeira versão do C64 permite jogar alguns jogos como Dragons Den, Le Mans, Jupiter Lander, Arctic Shipwreck e Jack Attack, mas já estão prometidos mais, bem como uma versão do Commodore Basic. Além de uma reprodução do teclado do Commodore 64 temos também um joystick virtual e a capacidade para jogar com o ecrã em modo landscape.

O C64 já se encontra à venda mas estranhamente foi retirado da App Store portuguesa…

Update: Ao que parece a Apple retirou a aplicação das App Stores por ter proibido a inclusão do Basic e este ainda se encontrar na aplicação mas desabilitado. Mais informações neste post do blog da Manomio.

Tributo ao Amiga

Aqui fica um video dedicado a um dos melhores computadores jamais feitos…