
Desde que a Sega deixou de fazer consolas, jogos do Sonic são despejados para o mercado ao pontapé. É o Sonic com o Mario, é o Sonic com a pandilha habitual, é o Sonic versão Twilight Lobisomem, enfim… ainda havemos de jogar Sonic num micro-ondas.
O ano passado, a Sega resolveu brindar os fãs do velho ouriço com mais um título, desta vez um Sonic especial, o quase messiânico Sonic 4, em 2.5D (melhor que 2D e que 3D). Devo dizer que fiquei entusiasmado com este título, coisa que não acontecia com um jogo do Sonic há muitos anos. Gosto de jogos do Sonic. Entendam-se, jogos do Sonic até à passagem da série para 3D, porque a partir daí não consigo achar piada a nenhum. Para mim, Sonic é para jogar em 2D, sempre a abrir caminho pelos diversos inimigos, como Yuji Naka idealizou inicialmente. Foi assim até ao Sonic & Knuckles e é assim que continuo a jogar.
As imagens iniciais que a Sega mostrou de Sonic 4 (Project Needlemouse) deixaram milhões de fans em delirio, uns pela positiva, outros pela negativa. Da minha parte houve o beneficio da dúvida, afinal era um jogo em desenvolvimento e muito poderia mudar. E mudou. A Sega alterou o estilo para alguns dos gráficos do jogo, a pedido de muitos fans, que rejubilaram por terem os seus desejos concretizados. Na fase final de testes do jogo, uma versão beta é posta acidentalmente na PartnerNet, a versão da Xbox Live para developers, e começam os rumores de que a física do jogo é completamente aberrante, muito diferente de todos os restantes títulos clássicos em 2D.
Sonic 4 Episode I (sim são pelo menos dois episódios) é lançado em Outubro, e as críticas são dispares. Há quem diga que Sonic 4 é dos melhores títulos da série, há quem diga que a Sega devia ter estado quietinha em vez de lançar um jogo daqueles. Eu só comprei o jogo no Natal quando o preço baixou, isto porque custa-me pagar o preço de um jogo por meio jogo… ou um terço de jogo… isto porque ainda não se sabe quantos episódios irão constituir o jogo na totalidade.
A minha primeira reacção foi um misto de espanto com desespero. Gráficamente Sonic 4 é um sonho, é como se o Sonic 1 tivesse sido puxado para o sec. XXI, a banda sonora está boa, mas com espaço para melhorar, visto que as músicas não ficam no ouvido como acontecia nos outros títulos da série. Quando comecei a jogar a minha vontade foi atirar com o comando para o chão… a física do jogo está realmente terrível. O Sonic, além de ter crescido e ter o dobro do tamanho do que tinha nos primeiros jogos (e de agora ter lentes de contacto verdes), parece que lhe pesa a cabeça. O bicho pura e simplesmente não ganha momentum… há alturas em que quando salta, se não continuamos a pressionar o pad na direcção em que ele vai, ele pára no ar e cai a pique. Outras vezes em que um spin dash não é suficiente para subir uma parede. Solução? Andar normalmente. Sim. Ganhar a velocidade máxima não faz o Sonic escalar uma parede, mas pode simplesmente andar e subir a parede tipo Spider Man. Uma perfeição. Mas o pior não é a física, o desenho dos níveis é escabroso! O primeiro nível é bom, mas isso deve-se ao facto de estar inspirado nos primeiros níveis de Sonic 1 e 2. Já o segundo nível, Lost Labyrinth é a coisinha mais mal parida que apareceu num jogo do Sonic. Os obstáculos quebram a fluidez do jogo e os puzzles funcionam mal e são pouco intuitivos. Outra coisa que se repara ao longo do jogo é a quantidade e diversidade de inimigos, que é pouca. O boss é o Dr. Ivo Robotnick ou Dr. Eggman e temos 10 ou 11 inimigos diferentes ao longo de todo o jogo.
Sonic 4 é acima de tudo um jogo com um enorme potencial caso nos consigamos abstrair de todos estes problemas, mas ao final do dia, para os verdadeiros fans de Sonic fica muito à quem de uma tech demo… Esperemos que o episódio 2 seja uma oportunidade para a Sega corrigir todos estes erros e olhar realmente para a genese da série e ver que o que foi feito há 20 anos continua a ser o melhor.
Sonic 4 Episode 1 está disponível via download para a Wii, PS3, X360 e iPhone.
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